segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Entendido o que é kaizen? Então vamos à prática!

Passamos a imagem inicial de que o kaizen é construído diariamente com passos pequenos, porém firmes, duradouros, consistentes. Dessa maneira os grandes resultados são frutos de mudanças simples, de preferência baratas e que tragam bons retornos.

Quando falarmos em retorno não necessariamente nos referimos ao retorno financeiro, ok? Idéias e ações de melhoria no ambiente de trabalho, na segurança e meio ambiente, nos procedimentos operacionais e em sustentabilidade devem ser sempre muito valorizadas e reconhecidas.

PROBLEMA – SINTOMA – CAUSA

Para solucionar determinado problema devemos agir em cima da causa. É essencial separar o sintoma da causa para não correr o risco de agir de forma paliativa. Vamos ao exemplo.

Produção de demanda puxada – a informação de quanto e quando produzir já vem pronta. Suprimentos garante que há matéria-prima suficiente disponível. Produção. Baixa de estoque de matéria-prima consumida (utilizada para produzir o volume de produto acabado + perda). Entrada de produto acabado no estoque do Centro de Distribuição. Atendimento da demanda.

PROBLEMA – Controle deficiente de indicadores de perda de matéria-prima
SINTOMA – Números pouco confiáveis
CAUSA – Medição inadequada das quantidades de matéria-prima consumida

No exemplo a cada etapa corresponde uma informação lançada no sistema. Há uma grande dificuldade ao verificamos que há divergência nos números quando confrontamos os dados lançados no sistema com o que temos em estoque na realidade.

O sistema referido é o SAP, reconhecidamente eficiente e usado nas melhores empresas em todo o mundo. A idéia do SAP de lançamento online de dados e integração das informações de todas as áreas envolvidas no processo produtivo é fantástica! Mas o SAP não é mágico, é preciso que o desenvolvimento do sistema adaptado à realidade da empresa seja muito bem feito, além de exigir dedicação e uma grande responsabilidade dos funcionários em relação aos dados lançados em termos de prazo e qualidade.

Mas sem perder nosso foco... estamos falando de melhorar o controle das perdas reais de matéria-prima. Deixaremos de lado, ao menos neste primeiro momento, a parte de sistema, tudo bem?

Definido e entendido o problema a ser trabalhado, separada a causa do sintoma, podemos continuar...

AÇÃO – RESPONSÁVEL – RECURSOS – PRAZO

Que tal começarmos a descobrir o que está acontecendo realmente em nossa própria casa? Talvez pareça engraçado, mas é triste, como podemos pensar em melhorar algo se não sabemos nem o que acontece na nossa casa? Então vamos começar, como em toda dança, com os passos básicos...

Passo zero – verificar onde há consumo de matéria-prima, onde ela é inserida no processo
Primeiro passo – medir o que está sendo consumido
Segundo passo – medir o que está sendo aproveitado
Terceiro passo – calcular a perda (perda = consumido – aproveitado)

A operação básica na produção é seguir a receita de bolo definida por R&D (Pesquisa e Desenvolvimento), que informa as quantidades que devem ser consumidas para produzir determinado produto (é essa quantidade definida por R&D que chamamos de quantidade aproveitada). Fácil de calcular, basta saber o que foi produzido no final.

Para se chegar na quantidade total consumida a informação deve ser lançada a cada unidade de matéria-prima no momento que ela entrar no processo produtivo. O registro é feito pelo funcionário que colocar o insumo no processo. O registro deve ser eficiente, para facilitá-lo recomendamos uma prancheta de fácil acesso com caneta fixa e uma planilha desenvolvida para cada matéria-prima.

Lembrem-se sempre que é muito natural trabalharmos com pessoas resistentes a mudanças. Para que um novo procedimento seja realmente cumprido, antes de aplicá-lo, planejem-no de forma a facilitar o trabalho do funcionário, passem para ele a importância da participação dele naquela mudança e onde pretendem chegar.
Você deve fazer isto por máquina, por turno e por produto. Lembre-se que para base de cálculo o que interessa é a perda percentual relativa ao total consumido e não a perda absoluta. Medição é a base do controle.

É preciso saber onde agir, focar sua energia onde haverá mais retorno. Se você sabe a pior máquina, trabalhe em sua manutenção. Se há diferenças indesejáveis entre os turnos, reconheça e premie o melhor. Se há maior dificuldade em relação a um produto avalie os motivos e aja! Em breve serão expostos alguns resultados...

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